Foco de língua azul chegou a Barrancos

Um novo foco da doença da língua azul, que afecta os ovinos, os caprinos e, em determinadas situações, também os bovinos, estendeu-se nos últimos dias do Sul da província de Badajoz, em Espanha, para uma exploração agrícola no concelho de Barrancos, onde foi detectado no passado dia 21.

A exploração em causa já foi sequestrada por ordem da Direcção–Geral de Veterinária, que publicou um edital em que estabelece as medidas a tomar para combater esta situação “re-emergente” da doença e poderá vir a determinar a adopção de medidas especiais de vigilância e restrições à circulação de ruminantes nas regiões do Alentejo e Algarve.

Também o Ministério da Agricultura confirmou, através de comunicado, esta ocorrência, realçando que se trata de um orbivírus do serotipo 1 para o qual não há vacina. Ao longo dos últimos anos, os focos de língua azul que surgiram em Portugal eram todos do serotipo 4, e é contra esta variante da doença que os animais que se encontram em explorações nacionais estão vacinados.

As autoridades veterinárias de Badajoz, que se debatem com este problema há pelo menos 15 dias, também concluíram que a variante da doença que tem afectado a região pertence ao serotipo 1 e não ao serotipo 4, que contaminou várias explorações pecuárias espanholas nos anos de 2004 e 2005. De início, chegou a pensar-se que este serotipo 1 era menos virulento que o antigo, embora neste momento já se pense que a taxa de mortalidade venha a ser mais elevada, dependendo das condições sanitárias e imunológicas das explorações em risco.

Mais 500 animais afectados
O surgimento desta nova variante da língua azul está a deixar alarmados os produtores de gado da província de Badajoz, bastante preocupados com a viabilidade económica de muitas explorações pecuárias afectadas pela doença. Na sequência do respectivo alastramento – vários focos de língua azul já haviam sido detectados no final de Julho numa exploração de ovinos na região da Andaluzia -, o Conselho de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Junta da Estremadura decidiu estabelecer uma área de protecção especial em redor da localidade de Montemolín.

Para além desta, o foco da doença já se estendeu às localidades vizinhas de Santa Maria das Navas, Pallares e Puebla del Mestre, localizadas a menos de 60 quilómetros da fronteira portuguesa. As autoridades veterinárias espanholas admitem que a epidemia terá vindo de África e entrado na Península Ibérica pela Andaluzia, chegando ao Sul de Badajoz através do curso do rio Viar, um afluente do Guadalquivir. A região da Estremadura espanhola apresenta um efectivo de ovinos superior a quatro milhões de cabeças de gado, o maior de toda a Espanha. Há mais de 60 anos que a zona agora mais afectada não era fustigada por este tipo de doença.

Língua azul alastra e já morreram dezenas de animais
O foco de língua azul já contaminou, entretanto. um número não quantificado de explorações pecuárias em Barrancos, prevendo-se que, a partir de agora, a sua propagação venha a ter continuidade noutros concelhos alentejanos. O presidente da Câmara de Barrancos disse que já morreram “umas boas dezenas de ovelhas”, presumindo que possam ter sido contaminadas pela doença que veio de Espanha.

O autarca revela que há pelo menos uma semana começou a receber pessoas “a pedir ajuda da câmara para enterrar ovelhas” sem que fosse conhecida a verdadeira causa da sua morte. Sebastião Rodrigues, presidente da Associação de Agricultores de Serpa (AAS), disse que neste momento “só resta aos 500 produtores pecuários (associados na AAS) desinfectar o gado” para atenuar os efeitos da contaminação.

Um porta-voz do Ministério da Agricultura garantiu que a Direcção-Geral de Veterinária (DGV) deslocou para o terreno vários técnicos para controlar a propagação da doença. Mas parece que a situação “não é pacífica”, admite Pica Tereno, exigindo “a indemnização dos agricultores afectados pela língua azul”. Ao mesmo tempo tece duras críticas à DGV pela “falta de comunicação” com a autarquia quando na vila raiana se sabia que “estava a acontecer qualquer coisa, não se sabia era o quê”.

FONTE: Público

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